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Por vezes as minhas mãos tremem, é verdade.
Sim, o tempo nem sempre é pefeito.
Sim, às vezes toco uma nota com força a mais.
Sim, é claro que há ainda (e sempre) mais.
Tudo isto testemunhei eu — não ao rever as gravações, mas no próprio acto de as gravar. A idade é mais do que um número (podes ter a certeza) — e é justo que assim seja: o tempo é eterno, mas o nosso tempo de vida é limitado e cada decisão carrega as suas próprias consequências à medida que percorremos a longa e sinuosa estrada.
Que isto te sirva de testemunho, de que os meus vídeos são reais; de que luto contra as limitações do meu próprio corpo — de que não trocava os meus limites por vídeos perfeitamente polidos, com narração de ritmo impecável e uma careta delineada a néon no ecrã de abertura.
O conhecimento é o que importa.
Isto é algo que, não sei bem como mas, felizmente, aprendi cedo: evolução — neste mundo real — significa que quem passa conhecimento adiante deve esforçar-se por levar os seus alunos muito para além daquilo que ele próprio alcançou — e ficar feliz com isso.
Qualquer material publicado funciona a quatro níveis:
1 — quanto coração e alma, quanto sangue, suor e lágrimas, quanta convicção o criador pôs nele;
2 — a qualidade prática do material produzido — que viverá para sempre, independentemente dos melhores desejos do seu criador;
3 — quanto coração e alma, quanto sangue, suor e lágrimas, quanta convicção tu pões em aprendê-lo;
4 — e finalmente, como disse atrás, quanto te elevas acima desse material e o passas adiante com a mesma pureza com que te foi dado.
Boa sorte. Deixa-me orgulhoso e, muito mais importante, deixa-te orgulhoso a ti próprio.
Bem-vindo ao Jazz Ground Zero.